Entenda como funciona a transição de governo
Lei obriga o governo a passar informações sobre a administração
Lei obriga o governo a passar informações sobre a administração
Com o fim do período eleitoral e a definição de um novo presidente da República para os próximos 4 anos, tem início o período de transição de governos. É nessa oportunidade que a equipe do atual governo oferece uma grande quantidade de informações do andamento da administração do país a uma equipe indicada pelo presidente eleito.
Entre essas informações está, por exemplo, a questão
econômica como as despesas, dívidas e receitas dos cofres da União.
Histórico
Em 2002, o então
presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, assinou uma medida
provisória, posteriormente aprovada pelo Congresso e transformada em lei
permanente, com as regras para um bom início de um novo governo. Na ocasião, o
próprio Fernando Henrique muniu o seu sucessor de dados do seu governo, em um
processo reconhecido no meio político como tranquilo e civilizado.
E quem recebeu as
informações do governo Fernando Henrique em 2002 é o mesmo a assumir a
Presidência no ano que vem. Luiz Inácio Lula da Silva já mobilizou nomes de
confiança para iniciar a transição de governo. A coordenação, nos próximos 2
meses, ficará a cargo do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin.
“Nosso objetivo
será fornecer ao presidente Lula, de forma republicana e democrática, todas as
informações necessárias para que seu mandato, que começa em 1° de janeiro, seja
bem-sucedido no atendimento das prioridades da população”, disse Alckmin nas
redes sociais.
Equipe de transição
De acordo com
a Lei nº 10.609, de 2002, o eleito ao cargo de presidente da República
poderá criar uma equipe de transição com o objetivo de se inteirar do
funcionamento dos órgãos e entidades que compõem a Administração Pública
Federal e preparar os atos do novo governo a serem editados imediatamente após
a posse.
A equipe de
transição terá acesso às informações relativas às contas públicas, aos
programas e aos projetos do governo federal. Os membros dessa equipe receberão
informações de diversas áreas, como economia, saúde, educação e infraestrutura,
por exemplo, e ocuparão cargos públicos temporários, criados exatamente para
esse fim, os Cargos Especiais de Transição Governamental (CETG). A lei
estabelece um limite de 50 pessoas para ocupar esses cargos. Os CETG são
criados a partir do segundo dia útil após o resultado das eleições.
Os integrantes do
atual governo ficam obrigados por lei a fornecer as informações solicitadas
pelo coordenador da equipe de transição, bem como a prestar o apoio técnico e
administrativo necessários aos seus trabalhos.
Com a lei de 2002,
o presidente eleito não fica refém da boa vontade do governo que se encerra
para compartilhar os documentos, inclusive sigilosos, dos últimos 4 anos de
gestão.
É do ministro-chefe
da Casa Civil a responsabilidade de disponibilizar local, infraestrutura e
apoio administrativo ao presidente e vice-presidente eleitos para que possam
trabalhar na transição.
A lei determina que os CETG devem ser vagos em até 10 dias após a posse do candidato eleito. Ao final desse prazo, todos os membros da equipe de transição são automaticamente exonerados. Dá-se início, definitivamente, ao novo governo.
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ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE